Fontes de Inspiração da LitFan Brasileira

Inspiração.

Criadora das mais belas artes quando presente.

Destruidora de mentes brilhantes quando ausente.

Seria ela um mal necessário ou um privilégio imprevisível?

Será que podemos controlá-la através de rituais, hábitos, visualizações ou outras ferramentas?

Foi pensando em questões como estas que decidi perguntar aos autores publicados e iniciantes da Literatura Fantástica Brasileira como eles se inspiravam para escrever.

A partir das respostas coletadas, concluí que existem cinco principais fontes de inspiração.

Principais Fontes de Inspiração

Ouvir Música

Muitos autores recorrem à música para alcançar a inspiração. Alguns preferem ouvir seu estilo favorito, outros já procuram algo que se encaixe em seu humor atual. Ela pode ser ouvida tanto antes do trabalho ser iniciado quanto durante a escrita.

Quando escrevo sobre aventuras escuto muitos CD’s de rock.” (Adriano Siqueira – futuramente lançando Adorável Noite, Editora Estronho).

“…sempre ouvindo música, que vai de trilhas sonoras de filmes e games até J-Pop e música eletrônica. Depende da obra.(Douglas MCT – autor de Necrópolis: A Fronteira das Almas, Editora Draco).

Outros autores que se utilizam desta fonte de inspiração: Cristina Lasaitis, Hugo Vera.

Visualizar a cena

Alguns preferem visualizar cenas ou refletir sobre o tema observando imagens relacionadas àquilo que estão trabalhando. Observam fotos de paisagens e imaginam seus personagens atuando naquele cenário ou até mesmo desenham o que gostariam de expressar em palavras.

Além disso, também se inspiram com o dia-a-dia, visualizando os indivíduos e as situações ao seu redor. Simplesmente transformam o cotidiano em algo fantástico.

Agora o que eu gosto de ver são imagens. Adoro buscar termos no Devian Art (como Steampunk, Fantasy, essas coisas) e usar como base no que escrevo” (José Roberto Vieira – futuramente lançando O Baronato de Shoah, Editora Draco).

Uma coisa que me inspira é ficar observando uma imagem por horas.” (Sora Barbosa – autora de diversos contos em antologias, inclusive Marcas na Parede, Editora Andross).

Pode ser uma frase, um conceito, algo que vivenciei ou que me contaram, qualquer coisa pode se tornar uma história.” (Marcelo Jacinto Ribeiro – autor de diversos contos em coletâneas como Histórias Fantásticas – Volume 1Cidadela EditorialParadigmas 4, Tarja Editorial. Também estará no Space Opera da Editora Draco).

Outros autores que se utilizam desta fonte de inspiração: Jorge Luiz Calife e Nelson Magrini.

Ler, Assistir ou Pesquisar Bons Trabalhos

Outros já focam mais em trabalhos de autores conhecidos e consagrados. Procuram extrair a linguagem, a técnica ou os sentimentos que são expressados em diferentes obras e criar algo novo, algo seu.

Além disso, procuram adquirir conhecimento para descobrir nichos que ainda não foram explorados e pesquisam sobre assuntos interessantes em busca de novas inspirações.

Um bom banho, filmes e livros também são excelentes fontes de inspiração” (Leandro Reis – autor da trilogia Legado Goldshine, futuramente lançando Enelock, o último volume da saga, Editora Idea).

“(…) às vezes escolho livros de determinados autores em busca de uma influência proposital, sobretudo quando estou trabalhando com a linguagem, e leio alguns trechos antes de me pôr a escrever.” (Cristina Lasaitis – autora de Fábulas do Tempo e da Eternidade, Tarja Editorial).

“(…) o que posso usar para sair dos clichês e textos já escritos? O que pode ser inovador dentro dessa temática? (…)” (Richard Diegues – autor de Cyber Brasiliana, Tarja Editorial)

“Quando consumo um bocado de quadrinhos, animações, livros, séries e filmes, essa inspiração vem mais fácil. Surge num pulo.” (Douglas MCT – autor de Necrópolis: A Fronteira das AlmasEditora Draco).

O Estalo

Finalmente, existem aqueles que simplesmente aguardam o surgimento da ideia, do estalo da inspiração. Independente do horário ou da situação, eles encontram um espaço para a escrita e passam tudo para o papel. Fazem rascunhos, escrevem em caderninhos ou agendas caso não tenham tempo naquele instante, e depois transformam aquele emaranhado de palavras em uma bela obra.

“Bom, na maioria das vezes eu tenho a inspiração de estalo e aí, paro o que estou fazendo na hora e sento para escrever.” (Marcelo Amado – autor de Aos Olhos da Morte, Editora Literata).

Escrever faz parte do que eu sou. Como pensar ou respirar. Não há ritual algum, nenhum encantamento ou invocação de uma musa mística qualquer.” (Gerson Lodi-Ribeiro, autor de diversos livros e futuramente lançando A Guardiã da Memória, Editora Draco).

Muitas vezes um detalhe fica muito tempo, até meses na minha cabeça até se materializar num estalo.” (Maria Helena Bandeira – autora de diversos contos em antologias como Cyberpunk – Histórias de um Futuro Extraordinário, Tarja Editorial).

Para mim, ideias vão pipocando na mente toda e qualquer hora.” (Nelson Magrini – autor diversos livros, como Os Guardiões do Tempo, Giz Editorial).

Não é exatamente um ritual, mas… Não posso ficar parado. Tenho que rabiscar todas as ideias num papel conforme elas vão aparecendo.” (Cirilo S. Lemos, autor de diversos contos em coletâneas como Extraneus Medieval Sci-Fi, Selo Estronho e em breve Cursed City, Editora Estronho)

Outros autores que se utilizam desta fonte de inspiração: Alfer MedeirosFlávio Medeiros Jr.

Independente de qual seja sua fonte de inspiração, é sempre bom seguir algumas dicas para garantir excelência em seu trabalho.

Dicas Gerais

  • “Não deixar as ideias fugirem.” (Alfer Medeiros – autor de Fúria Lupina ) – Escrever ideias em um caderninho, anotando qualquer uma que vá surgindo, mesmo que não pareça ter muito sentido.
  • “Em geral, a inspiração vem da pesquisa, que é o primeiro passo.” Sempre devemos pesquisar para ter certeza de que o assunto que desejamos escrever é um bom tópico e não foi saturado pelo mercado.
  • “É bom ter um horário reservado somente para a escrita, onde você vai sentar e escrever. Nada mais. Não está inspirado? Azar, escreva mesmo assim(…)” (Leandro Reis – autor da trilogia Legado Goldshine, Editora Idea) – Mesmo que apague tudo que foi escrito no dia seguinte, é sempre bom tornar a escrita um hábito diário.
  • Eu costumo fazer alguns exercícios físicos todos os dias, para dar uma aliviada no corpo.” (José Roberto Vieira – autor de Baronato de Shoah, Editora Draco) – Ficar sentado na frente do computador por muitas horas, acaba por cansar ambos o corpo e a mente. É sempre bom fazer algo, nem que seja algumas flexões, abdominais ou uma boa caminhada.
  • “No geral, prefiro ter uma boa noite de sono para ter a mente sempre descansada.” (Hugo Vera – organizador e autor na coletânea Space Opera que será futuramente lançada pela Editora Draco) – As ideias sempre parecem fluir melhor, o texto pode até parecer mais leve.
  • “Geralmente eu desenho num papel cenas ou personagens da história para aperfeiçoar o visual.” (Jorge Luiz Calife – autor do recém-lançado Angela Entre Dois Mundos, Devir Livraria) – É bom sempre esboçar ideias, seja de forma visual como um desenho, ou através de um brainstorming com frases e ideias soltas.
  • “Tenho sempre um caderno com algumas frases de impacto. Procuro sempre abrir meus textos com uma dessas frases no primeiro parágrafo.” (Richard Diegues – autor de Cyber Brasiliana, Tarja Editorial) –Através de artifícios como este,  forçamos a mente a se encaixar ao ritmo e ao humor que desejamos.
  • “(…) o que sempre faço é manter um diário no qual registro 1) dia e hora da sessão; 2) o que vou escrever (número de cenas, revisão etc.); 3) o que realmente escrevi; 4) quantos minutos trabalhei; 5) número de palavras/caracteres e 6) o que farei na próxima sessão.” (Marcelo Augusto Galvão –autor de contos em diversas antologias como Histórias Fantásticas – Volume 1, Cidadela Editorial, e Imaginários 3, Editora Draco).
  • “Deixo a ideia inicial sempre à mão em um canto da mente, e quando surge algo que tem afinidade com ela eu penso: ‘ei, isso me serve para aquele projeto!'” (Flavio Medeiros Jr. autor de Quintessência e Casa de Vampiro, Tarja Editorial)

E você? Qual a sua “Fonte de Inspiração?

Visite a Página com as respostas completas de todos os autores.

 

Escrito Por: Larissa Caruso, Colaboração: Hugo Vera


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11 respostas em “Fontes de Inspiração da LitFan Brasileira

  1. Pingback: Fontes de Inspiração para o Escritor « Cris Lasaitis

  2. Adorei! Muito legal ver q no fim das contas as fontes de inspiração ñ são nada sobrenaturais como muita gente q ñ tem o habito de criar acha. Pena ñ ter visto os Sonhos entre as primeiras fontes, pq ê de onde vem muito do que eu escrevo, como tb de onde vem muito do q meu escritor favorito cria. Neil Gaiman, claro. Bessos!

    • Sabe que sequer lembrei dos sonhos? Eu já me inspirei uma vez ou outra para escrever assim e também sabia que alguns autores internacionais famosos o fizeram. Mas dos autores que participaram desse artigo, nenhum deles mencionou sonho e o tema ficou esquecido.

  3. Ah, que ótima matéria! Gostei muito das dicas! Tudo muito interessante e prático! \o/

    Quando consigo escrever algo, a inspiração vem assim, do nada… Mas tb de sonhos. Aliás, o projeto de livro que comecei a escrever veio de diversos sonhos MUITO bizarros que tive. Ainda não abandonei o projeto e tenho um caderno que escrevo todas as ideias que surgem.

    Beijocas! =)

  4. Escrever por ato mecânico é muito ruim, você tem as idéias, mas as palavras não vem… Daí você escuta “aquela música”, capaz de fazer as ideias se encaixarem perfeitamente, a história se desenrolar naturalmente. Mas as vezes nem as músicas resolvem todo o problema, e você corre atrás de um livro, um filme, um clipe para ver se destrava. Ou talvez no Deviantart, que é um universo magnífico de imagens que inspiram ainda mais. Eu, particularmente, passo por todas essas fontes, bebendo um pouco de cada uma. Dizem que não existe ritual para a escrita, talvez não exista mesmo. Mas o modo como minha escrita funciona é bem louca na maioria das vezes: Primeiro, o clique/estalo – e eu anoto as idéias; segundo, a música – as idéias tomam formas de imagem na mente, as ações se desenvolvem por si sós; terceiro, uma visitinha à sites de imagens/fotos – o cenário se solidifica ainda mais, os personagens deixam de ser vc e tomam forma própria; quarto, a leitura/filme/clipe – quando as palavras somem, é uma agonia… E então ao ler algo que combina com o que vc quer escrever, as palavras voltam, e aí sim você se sente pronto para escrever. Mas nada como um segundo estalo para fazer você entrar em um pseudo-transe e danar a escrever até colocar a palavra fim (no meu caso, pq eu só escrevo contos, poesias e derivados).

    Tem as raras vezes que pulo do primeiro para o último passo, ou pelo primeiro, segundo e último. Mas costumava fazer exercícios apenas com o segundo e o terceiro, nunca saiu grande coisa, mas sempre me preparou pra mais *-*

    Muito boa matéria, sempre é bom saber mais sobre os escritores que lemos e muitas vezes admiramos.

  5. Costumo prestar atenção nas pessoas à minha volta na condução, no convívio e também ouvir o que elas tem a dizer, porque mesmo as coisas mais banais ganham importância quando contadas por alguém interessante. Outra coisa que faço com frequência é manter um diário virtual dos meus sonhos porque eles são um extrato do que tenho vivido ou elaborado em estado hipnoide, coisas que não tenho acesso quando em estado de vigília e sempre encontro coisas bacanas depois. Acho válido.

    Este texto é bacana e ajuda muito quem tem dificuldades para colocar as ideias em dias e escrever. Parabéns!

    • Obrigada pelos comentários, pessoal!

      Aprendi muito fazendo esse artigo, e também com os comentários. Antes, por exemplo, não dava muita bola para as coisas ao meu redor e notei que essa semana estou prestando mais atenção, vendo ideias em coisas simples que acontecem em nosso dia a dia.

  6. É bem interessante ressaltar que as vezes quando se escreve um texto, conto ou romance, a informação é sempre importante, mas não podemos deixar a referência de lado e ir fundo na pesquisa entrevistando, conhecendo e conversando com pessoas para ter algo uma obra concreta e objetiva. É por isso que esse artigo está cheio de links e sites. Não sei até que ponto isso é bom.

  7. Pingback: Novidades – parte 1 | Necrópolis

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