Você tem medo do quê? – A Segunda sombra se levanta!

Hoje a noite está mais escura do que o normal… Nenhuma estrela esta brilhando… Vocês sabem o porque?….

TUM…TUM…

Barulhos estranhos… Batidas, socos no metal dos portões… Mas não tem ninguem nos portões….

TUM… TUM…

Meus Deuses… Que barulho maldito é esse????

Ei – sussurra uma voz rouca – O barulho está vindo dali…

Olho na direção dessa nova voz…. Nada… Só as portas que levam ao….

TUM… TUM…

A poeira esta levantando… As portas… Se abrindo… As correntes…. Ah, NÃO!!!!

Ela ACORDOU! A segunda sombra finalmente está saindo do chão…. daqui pra frente é cada um por si amigos… fiquem se tiverem coragem….

Você tem medo do quê?

Tânia Souza

Oi personas, finalmente, dia de estreia no Arena Fantástica. Fazer parte dessa equipe super bacana é uma responsabilidade muito gostosa, mas primeiro post é sempre um frio na barriga, escolher assunto… delimitar temas… linguagem… é, assumo que fico nervosa. Então, escrever sobre o quê? Depois de algum tempo meditando nos porões sombrios do Arena, ( um cantinho deveras inspirador, apesar dos ruídos inexplicáveis e das aranhas gigantes e, ahn acho que estou fugindo do assunto), fiz a escolha: escrever sobre minha grande paixão, o terror.

Quando se fala em terror, claro, pensamos nos grandes nomes como Poe, Lovecraft, King, Straub e outros. Mas qual a situação do terror na LitFan nacional? Quais são os grandes temas do sombrio? É só digitar no seu buscador favorito: contos de terror, terror, horror. Surgem inúmeras páginas como opção. Os meios virtuais favoreceram e muito a produção, ou divulgação, de contos fantásticos na vertente do terror. No entanto, nem todos são representantes da literatura de terror, muitos são voltados à violência explícita e sangrenta com intenção de chocar. Isso é terror ou horror?E afinal, existe diferença? Na verdade, alguns autores não fazem essa distinção. Mas entendo que exista sim. O horror está voltado à violência explícita: e preparem-se para torturas, sangue, vísceras, mutilações, tudo muito repulsivo. O horror é quase como uma reação física perante uma ameaça de origem real.

Mas e o terror? É algo mais implícito: medo, ansiedade, paranóia, pesadelos, o estranhamento e a inquietação perante uma quebra de normalidade. Então, o sobrenatural e o inexplicável estão na raiz do terror. Claro que existem mesclas, nenhum é absoluto. Nada como um bom espectro destroçando em pedaços a vítima indefesa e… ahn, voltando ao assunto, nos contos de terror o escritor deve estar atento ao desconhecido, ao misterioso. Não basta apenas a presença do elemento sobrenatural, histórias com vampiros, lobisomens, demônios e afins nem sempre são histórias de terror, são obras do fantástico, mas para ser terror, é preciso atmosfera, algo que o terror psicológico traduz muito bem. Desde a escolha de termos que sugerem em vez de afirmar até a indecisão para definir o que foi real ou não naquele universo ficcional.

Na LitFan nacional, o terror às vezes fica meio esquecido nas publicações em geral, mas sempre surgem boas surpresas, como por exemplo, A Corrente, o thriller de Estevão Ribeiro. Normalmente, são nos contos, em coletâneas e antologias, que o gênero aparece mais. Em algumas discussões com autores diversos em fóruns literários e, principalmente, como leitora, tentei identificar o que alimenta a imaginação do escritor do gênero terror. É óbvio que vivemos com medo, mas pode-se dizer que vivemos em uma sociedade na qual os medos já não oferecem mistérios? Na história da literatura de terror, temas foram reinventados por questões políticas, religiosas, sociais e tecnológicas. Até que ponto isso mudou? É visível a preferência de alguns autores por temas clássicos. Outros conseguem captar a essência do contemporâneo nas suas obras e ainda, mesclar o antigo com o novo. Na verdade, alguns temas podem soar pesados e falsos se não existir uma contextualização, enquanto outros se tornam superficiais e não convencem.

Em uma rápida comparação entre os temas contemporâneos e clássicos nos textos de terror, há muito em comum. Creio que os medos são atemporais, só mudando mesmo a roupagem. Entre eles, alguns são recorrentes:

A morte continua sendo uma incógnita para a humanidade, Deus e o Diabo também, aliás, ainda se mata, e muito, em nome da fé. A ciência e o que o homem é capaz de fazer com o conhecimento pode ser bastante inspiradora. Dos homúnculos medievais, criados das maneiras mais estranhas aos clones criados com a mais alta tecnologia, todas essas façanhas podem ter um preço, além das questões morais e conseqüências inesperadas.

Frankenstein, a criatura do Dr. Victor que representa um dos sonhos do homem, vencer a morte, nunca esteve tão próximo da realidade.

Mitos e personagens folclóricos dividem espaço com lendas urbanas.

Maldições apavoram tanto quanto contaminações, vírus, doenças e bactérias misteriosas.

O apocalipse, seja de origem divina ou humana, é um fantasma que assombrou o passado e ameaça o futuro.

O universo com seus mistérios pode ser fonte de terríveis pesadelos, assim como os segredos dos mais profundos mares.

Objetos malditos compartilham lugar com correntes e vídeos amaldiçoados. Um camafeu do século XVII ou um celular de última geração podem ser os veículos da maldade.

Becos, favelas e prédios podem ser tão assustadores quanto mansões e criptas centenárias.

E o homem, com suas paixões e obsessões, continua sendo uma das feras mais cruéis desse mundo.

É claro que essa é uma lista breve, que pode crescer de forma surpreendente, e se alguém se lembrar de algum outro exemplo, pode me enviar. Independente do tema, uma boa história de terror explora os limites da tensão psicológica, o momento da oscilação entre o real e o inexplicável, entre imaginação, fantasia e razão. Sentimentos como a dúvida, a angústia, o medo, a loucura e o caos se refletem nas criaturas e situações mais inusitadas. Tudo isso, na segurança das páginas literárias.

Então é isso personas, escolham um bom livro de terror, fechem bem as janelas e pronto, estão preparados, ou não, para mergulhar nos mistérios dos sentimentos humanos mais sombrios.

No próximo post, vamos passear por cenários sombrios e conhecer/rever alguns personagens assustadores. Afinal, você tem medo do quê?

http://alitfan.blogspot.com/

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5 respostas em “Você tem medo do quê? – A Segunda sombra se levanta!

  1. Um ótimo reforço para o time do Arena, e não conhece ninguém mais qualificada para falar sobre o terror na literatura, o que fica evidente pelo belo artigo de estréia.

    Parabéns ao Arena pela “contratação” e para a T pelo bem trabalho.

    : )

  2. Muito bom… The best!

    Meu mais sincero desejo de sucesso ao Arena e também para a maluquinha adorável, Tânia Souza. Excelente post. Excelente sacada do Arena! Estão todos de parabéns!

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