Resenha – Memórias Desmortas de Brás Cubas

Bom, nada melhor para começar o nosso “Final de Semana do Outro Mundo” do que fazendo a resenha de um dos livros mais divertidos da Literatura Fantástica nacional que li recentemente. E porque o livro é do outro mundo vocês me perguntam? Eu vos digo… É porque ele fala de zumbiiiiiis. Com vocês, a resenha de “Memórias Desmortas de Brás Cubas”

A começar pelo titulo, esse livro me remete aos tempos idos do colegial, onde a maioria de nós preferia morrer a ter de ler esse tipo de livro. No caso, acredito que o autor realmente levou a sério essa idéia e não só morreu, mas também matou todo mundo… Matou todo mundo de rir. Escrevendo como o próprio Brás Cubas, Pedro Vieira nos trás as memórias de tudo aquilo que aconteceu depois do primeiro livro e ninguém nunca ficou sabendo.

Trecho:

– Caro amigo, devo lhe informar que eu devorei o seu cérebro. Sinto dizer, mas foi coisa do momento. Instinto, talvez. Aliás, você não devia ter me acordado daquele jeito. Por quê…?

Prudêncio fez esforço para articular a palavra, mas depois de algumas tentativas eu entendi: ele tentava dizer emplasto. Tive quase certeza. Mas poderia muito bem ser Jamaica. Depois de mortos, eles precisam de algumas sessões no fonoaudiólogo, fica meio difícil de compreender o que querem expressar. Mas era emplasto, decerto. Foi quando tudo se encaixou.

Ele estava atrás do meu emplasto. Da minha glória, o meu legado, a minha essência. Culpa minha ter mencionado a minha criação em frente àquela corja de interesseiros aglomerada junto ao meu leito. Passei-lhe um belo sermão, e Prudêncio, envergonhado, permaneceu o tempo todo cabisbaixo, choramingando. Ao fim, claramente arrependido, perguntou-me:

– Miiiioooolos?

– Decerto, velho amigo. Decerto.

Miolos, Ciganas e Alienistas pontuam essa obra divertida e de humor refinado que, salvo engano, foi a primeira a ser lançada nas bases do que se conhece como Mashup Literário feita aqui no Brasil. Uma visão inusitada do mundo dos Zumbis, ou desmortos, como preferirem, e de sua dificuldade em se adaptar, não só a sua condição, mas também a mudança dos tempos.

Lançado pela Tarja Editorial, essa continuação do clássico machadiano (Memórias Póstumas de Brás Cubas) tem uma leitura leve e fluente, sendo que, pelo menos para mim, o livro acabou na mesma noite que começou, me deixando com boas risadas e aquele sabor de quero mais nos lábios. Uma leitura recomendadissima para todos os que gostam, simpatizam ou apenas se interessam por zumbis e, por que não, carnificina!

Só um aviso, deixem seus miolos em casa, eles estão com fome…

Memórias Desmortas de Brás Cubas no Skoob

Will.

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2 respostas em “Resenha – Memórias Desmortas de Brás Cubas

  1. Willian/ Rogério,

    Sou o “Brontops” do curso de sábados na Terracota.

    Passei aqui pra deixar meu blog ( http://brontops.blogspot.com/) e o de um projeto de Ficção Científica do qual participo: o Projeto Portal (http://projeto-portal.blogspot.com/)… Podem comentar, xingar, escarrar, avacalhar… fiquem à vontade pra criticar.

    Vou passar umas sugestões de livros pra vcs. Pode?
    -O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias, por Kelly Link (Editora Leya); (um ótimo livro de fantasia… ou quase isto. Difícil classificar. Dá uma olhada)
    -Matadouro 5, de Kurt Vonnegut
    Um livro “maluco”, simultaneamente engraçado e triste. Muito bom pra “desamarrar” na hora de tratar um assunto.

    Abs

  2. Pingback: Mais Zumbrás (de leve) « Nerdquest e outras maneiras de ganhar XP

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