Entrevista com o escritor Marcelo D. Amado

Tenho o prazer de apresentar a entrevista que fiz com o autor Marcelo D Amado. Ele foi convidado em diversas antologias, publicou um e-book e um livro de contos sobre a morte. Também é o editor/criador da Editora Estronho. A entrevista teve um clima bem informal, e tentei mantê-la dessa forma no post. Focamos em sua vida como escritor, mas pretendo publicar algo sobre suas experiências como organizador e editor em um futuro próximo. Espero que gostem!

O que te levou a investir em uma carreira como escritor?

Marcelo Amado: Foi completamente sem querer. Comecei brincando com contos no site Estronho, inspirado pelos autores que postavam por lá. Os próprios autores e alguns leitores do site começaram a incentivar, elogiar, fazer críticas para que eu melhorasse e foi acontecendo. Nada programado.

Sério? Eu sempre achei que o site Estronho aconteceu depois que você decidiu se tornar um escritor.

Marcelo Amado: Não. O Estronho surgiu em 1996 e eu só comecei a escrever, e também a ter o hábito da leitura, em 2004.

E qual foi a sua primeira publicação impressa? Como foi essa experiência?

Marcelo Amado – escritor entrevistado: A primeira foi Necrópole 2 – Histórias de Fantasmas, pela Editora Alaúde, organizada pelo Richard Diegues, hoje da Tarja Editorial. Foi uma grande surpresa na época, porque eu nem imaginava uma coisas dessas. Quando veio o convite, eu quase caí pra trás. Achei que o Richard tinha ficado doido. E foi bacana também, porque eu tive que refazer vários trechos, seguindo as orientações do Richard.

…E aprendi a ouvir. Aprendi a ler, reler, autocriticar… e, é claro, ponderar. Você também não tem que obedecer cegamente ao que o editor/organizador diz. Tem que ter bom senso. Muitas vezes o organizador não entende certa proposta que você faz no texto. Basta dialogar e trocar ideias. Mas é importante saber que o seu texto não é perfeito.

Quando você olha para esse seu primeiro trabalho, o que vem em mente? Hoje, você mudaria algo no texto que fez ou mudaria a maneira como se portou perante esse trabalho?

Marcelo Amado: Engraçado é que não. Nesse primeiro eu não mudaria nada. Gosto dele do jeito que está. Talvez porque tenha tido essa ajuda do pessoal do Necrópole para deixar o texto redondo. Tenho muito carinho por esse livro e o que ele ainda representa pra mim. Mas outros textos que vieram depois… alguns deles, eu mudaria hoje.

Quais foram as barreiras iniciais que você encontrou enquanto tentava avançar em sua carreira literária?

Marcelo Amado: Nesse ponto eu me considero com sorte. As coisas foram surgindo naturalmente e não tenho como falar que tive grandes dificuldades, embora eu saiba dos obstáculos enfrentados por muitos amigos escritores. Mais tarde, o próprio Richard voltou a me dar uma oportunidade no Paradigmas Vol. 1, depois veio o Ademir Pascale, me chamando para o Draculea, Zumbis e outros.

Depois que eu lancei o e-book Empadas e Mortes, as portas se abriram um pouco mais. Foi por causa dele que a Georgette Silen conheceu meu trabalho e me chamou para prefaciar e ser autor convidado da antologia O Grimoire dos Vampiros. E através dele, mais portas… Devo dizer que tive muita sorte, na verdade. (risos)

Dificuldade mesmo, só quando fui lançar meu livro solo Aos Olhos da Morte, porque peguei inicialmente uma editora que não tem respeito algum pelos seus autores e tenta dar uma de ditadora em relação a material, capa e diagramação. E quando você cancela o contrato com eles… Bem… A coisa fica feia. Até hoje eles me devem uma grana que eu paguei para participar da Bienal do Livro de São Paulo e não participei, porque cancelamos.

Mas antes mesmo de cancelar oficialmente o contrato, encontrei o apoio da Editora Literata, que além de querer publicar o meu livro, ainda abraçou a ideia do Selo Estronho, que acabou virando Editora Estronho agora.

Fiquei curiosa. Imagino que o Ademir Pascale te convidou por conhecer os trabalhos que você fez com o Richard Diegues, mas como o Richard conheceu seu trabalho?

Marcelo Amado: O Richard era um dos que publicavam contos no Estronho em 2004 e que me inspiraram a escrever. Foi ele também um dos que me incentivou no início. Tudo através do site Estronho.

Agora a questão de inspiração para escrever… Você tem alguma fórmula secreta ou ritual para que a inspiração apareça? Ou mesmo para escrever, no geral.

Marcelo Amado: Não. Geralmente, sento para escrever sem ideia alguma do que vai sair – exceto, é claro, quando é para uma antologia temática. Apenas abro o editor e começo a escrever. A maioria dos textos saiu assim. Algumas vezes também, alguém fala uma frase… e me vem uma história na cabeça. Aconteceu isso com o conto que vai ser publicado no Extraneus Vol. 2. O Rober Pinheiro brincou comigo uma vez falando que eu tinha um coração negro, só porque eu disse que queria matar uma certa pessoa (risos)… e saiu o conto Corações Negros. O mesmo aconteceu também com uma frase do Rober com um conto que deve sair em breve em outra antologia, que fala de uma estação para o inferno. Estávamos no metrô na Consolação, num calor dos infernos. Ele disse que era a estação para o inferno… Pronto. A história surgiu na hora. Foi escrever só à noite.

Você já teve uma ideia que pensou ser brilhante, e daí, ao colocar no papel, não achou tão boa assim?

Marcelo Amado: Várias. (risos)

Pode dar um exemplo? E o que você fez? Deixou a ideia de lado e reescreveu depois, ou simplesmente a abandonou?

Marcelo Amado: Tenho uma pasta aqui chamada Contos Inacabados… cheias de exemplos (risos). Ficam lá esperando… Um dia, quem sabe?

Uma pasta? (risos) Tantos assim?

Marcelo Amado: Deixe-me ver aqui… É… nem tanto. Tem seis. É a mania de organização.

Ufa! Já imaginei uma pasta enorme, com sei lá, uns 20.

Marcelo Amado: Não… Mas tinha mais. Melhorei alguns textos e publiquei.

E ainda no tópico de inspiração… Quais escritores da literatura nacional e estrangeira que te inspiraram e ainda inspiram?

Marcelo Amado: Inspirar mesmo, hoje, eu acho que só no fato de escreverem muito bem e me darem prazer ao ler. Não exatamente inspirar os meus textos. Porque ando escrevendo umas coisas muito malucas, sei lá… Mas posso citar: Augusto dos Anjos, Lord Byron, Ken Follett, Ray Bradbury, Stephen King, Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft… Gosto muito das crônicas do Veríssimo…

Giulia Moon, Georgette Silen… Rober Pinheiro, Leandro Reis, Adriano Siqueira…

Tem uma turma novinha surgindo aí, que eu adoro ler. Mesmo os que ainda não tem livros publicados, mas mandam textos ou tem blogs. Celly Borges, Carolina Mancini, Nine, Suzy M. Hekamiah… Muita gente nova escrevendo bem. Essa mocinha que está me entrevistando também.

Ah sim… O próprio Richard Diegues também. Eric Novello… Juliano Sasseron… Ih… é melhor parar. Não… Deixe-me citar ainda Luciana Fátima e Tânia Souza.

Não vale puxar o saco da entrevistadora. (risos)

Marcelo Amado: Não estou puxando. Você tem saco? (o.O) … Oh, céus! E eu que ia convidar para um café depois da entrevista!… Gosto do que você escreve.

(risos) Bobo. Obrigada, vindo de você é uma honra enorme, de verdade.

Marcelo Amado: Imagina… Nada a ver. Estou aprendendo, como todo mundo.

E quais seriam suas recomendações/conselhos para escritores iniciantes que desejam seguir esse caminho?

Marcelo Amado: Bom, como disse, eu também estou iniciando, mas vou repassar o que pessoas em que eu confio dizem. E também uma opinião pessoal… É simples: escreva! Escreva, escreva e escreva. Pratique… Jogue fora, volte, arrume… Leia muito e leia de tudo. Você gosta só de anjos? Ok, mas leia Ficção Científica. Leia os clássicos… Isso abre a mente da gente. Isso traz novos universos e você pode criar coisas diferentes.

E por mais que a sua tia, a namorada ou a mãe achem seus textos maravilhosos… tenha bom senso.

Você tem o costume de escrever todos os dias? Tem alguma meta que tenta cumprir diariamente?

Marcelo Amado: Ultimamente ando mais parado que mula em porta de cemitério. Minha meta tem sido conseguir ler os contos que chegam para as antologias que estou organizando. (risos)

Olha só, vou pegar no seu pé para escrever, então.

Marcelo Amado: Oh, Deus… Mais uma? (risos)

É claro, né. Não podemos deixar você enferrujar.

Penúltima pergunta. Você mencionou problemas com uma certa editora. Que tipos de lição você tirou dessa experiência? E qual o conselho que poderia dar aos seus colegas escritores para evitar eles caiam nesse tipo de armadilha?

Marcelo Amado: A lição é não se afobar. Ter calma… Tomar cuidado com promessas demais. Não é fácil começar a publicar no Brasil, todo mundo sabe. Principalmente Literatura Fantástica. Tem gente com sorte? Tem… Claro. Mas, no geral, é bem complicado. Então, tome cuidado com Editoras que só querem mais um nome em uma capa de antologia ou querem arrancar todo o seu dinheiro para um livro solo que ela não vai divulgar na mesma proporção do que te cobrou. Tenha paciência e tente aparecer. Blogs, concursos, antologias – de editoras sérias. Não passou? Tente de novo… Não passou de novo? Continue tentando. Publicar por publicar não vale a pena. É relativamente fácil publicar em antologias pagas. Eles precisam cumprir cotas… Que fique claro que não estou condenando todas as antologias pagas.  Eu mesmo publiquei em algumas, mas foram antologias organizadas por gente séria. Mas chega uma hora que você não precisa mais disso. Corra atrás e você consegue. E sem estrelismos… Por favor.

E agora… A pergunta final… Quais são seus projetos – como escritor – em andamento e futuros?

Marcelo Amado: Bom… Eu estou parado, mas com projetos abertos me esperando. Tenho um livro de literatura juvenil, que deve ser o primeiro que pretendo terminar e lançar pela Editora Estronho mesmo. Surgiu de um conto que fiz de presente para a Celly Borges, do Mundo de Fantas. É fantasia – coisa que eu tenho medo de escrever por não me familiarizar muito.

Tenho também um romance policial e um livro de crônicas e contos mais pesados… são meio deprimentes e alguns violentos. Além de um livro que tá na gaveta desde 2005 e não consigo terminar. (risos)

Falta de tempo ou inspiração? Ou ambos? (risos)

Marcelo Amado: Ambos. (risos) Eu sempre acho que está uma porcaria.

Ah sim… E vou participar de algumas antologias, como convidado e outras da Editora Estronho mesmo.

As antologias ainda são segredo?

Marcelo Amado: Não… Basicamente estão no site – fora três que ainda mantenho em sigilo (risos). Uma delas não sairia pela Editora Estronho. Eu já era convidado antes, quando a ideia surgiu. Mas agora, fui presenteado pelos organizadores, que resolveram publicar comigo. A antologia chama-se Fragmentos do Inferno.

Sabia que tinha segredos no meio. (risos)

Marcelo Amado: Só três (risos). Ah não, são quatro. (risos)

E vão aumentando…

Marcelo Amado: se Deus quiser. (risos)

Bom, foi um prazer. Muitíssimo obrigada pela entrevista!

Marcelo Amado: Eu que agradeço.

Por: Larissa Caruso

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7 respostas em “Entrevista com o escritor Marcelo D. Amado

  1. Foi muito legal e divertido dar essa entrevista pra Lalinha. Acho que a mais descontraída e que fluiu mais naturalmente até hoje.

    Muito obrigado, galera da Arena!

  2. Adorei a entrevista! E, ohhh, fui citada hihi.
    Que curiosa estou por esses segredos… e que agora não sei mesmo quais são!!! Vou ali descobrir…
    Mas posso contar uma coisa… acho, enfim, agora já falei… o livro juvenil é perfeito!
    Agora sério, o Marcelo é um dos mais talentosos autores nacionais, sou sua fã, mocinho! Quero autógrafo… ah já tenho (a).

    Parabéns pela entrevista!

  3. Devo dizer que o primeiro conto de terror que li na internet, cerca de 10 anos atrás, foi no site Estronho e Esquésito. Nessa época o Amado ainda respondia unicamente pelo nome de Guardião Estronho, e o visual da página era beeeeeeem diferente!
    Parabenizo entrevistadora e entrevistado pelo excelente conteúdo deste post!
    Grande abraço.

  4. Entrevista gostosa de ler, clima bom e interessante conhecer mais sobre essa figura que é o M.D. Amado.

    Sou fã do senhor Estronho! Ótimo escritor, poeta e criador de capas lindas, Marcelo é uma pessoa mais que querida. Conheci como Guardião quando enviava contos para o site e antes, como leitora do espaço e, depois, como amiga. Fico honrada por ele gostar dos meus escritor, valeu mocinho.

    Todas as inovações no Estronho, primeiro o Selo, agora a Editora, são fruto de um trabalho bem feito, de amor pela literatura e responsabilidade mesmo.

    Boa sorte e Sucesso, e que a parceria Arena e Estronho continue rendendo boas novas.

  5. Vcs querendo autografos, bah.. ele é meu pai hahahahaha
    Como é bom poder se orgulhar do pai!
    Mt legal a entrevista, parabens! ^^

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