Resenha: Neon Azul

Hoje, como prometido, trago até vocês um “resumo” salpicado com minhas opiniões a respeito do último livro que li. Que livro é este? Nada mais nada menos do que Neon Azul do autor Eric Novello e publicado pela Editora Draco. Como de costume, antes de qualquer coisa ai vai a sinopse do livro (na verdade, desta vez peguei o Release no site do autor, pois acho mais completo do que o que encontra-se no verso da edição):

 

Um homem que não dorme nunca. Um advogado com um cramulhão na garrafa. Um assassino que atravessa espelhos. Um escritor que não consegue prender sua personagem no papel. Esses são alguns dos frequentadores de Neon Azul, um bar diferente para cada cliente. Escolha o seu lugar, faça o seu pedido. Depois do primeiro drinque, você jamais será o mesmo.

Neon Azul é uma boate onde habitam os seus mais sombrios desejos e tentações. É um lugar diferente, repleto de acontecimentos estranhos, mas que poderia estar na esquina da sua casa ou no caminho entre o trabalho e o metrô. Enquanto acompanha a história do bar e de funcionários e clientes peculiares, descubra que realizar seus desejos pode ter efeitos colaterais imprevisíveis.

Homens de negócio, prostitutas, artistas e boêmios imersos em uma solidão que só quem passeia pela noite já experimentou, um sentimento comum aos que vivem cercados de gente, com um sorriso no rosto e um copo na mão.

Nesse jogo de luzes e sombras que revelam a fantasia e encobrem a realidade, está nas mãos do leitor a decisão de acreditar ou não no que lê e decidir quem conta as verdades e as mentiras ao longo da história.
Assim como o insone gerente do bar, o leitor terá muito o que lembrar quando deitar na cama e fechar os olhos por própria conta e risco.

Eu já conhecia o livro bem antes de o comprar, pois sou uma grande fã da Editora Draco, mas, por mais que fosse interessante, ainda não conseguia a vontade necessária para desembolsar meu escasso dinheiro e adquiri-lo. Apesar de amar as compras pelo Submarino, normalmente eu prefiro ir na livraria. Segurar o livro, folheá-lo, procurar qual, dentre os diversos exemplares na prateleira, irá comigo para casa (não me apego somente a história, me apego ao livro físico mesmo. Não sei explicar porque, mas acontece). Portanto, quando fui até a Livraria Cultura do Shopping Bourbon onde estava havendo uma evento sobre a subcultura Steampunk (que nada tem haver com o tema do Neon Azul, que isso fique claro), e me vi diante não somente do autor, Eric Novello (que fazia parte dos convidados para o Bate Papo), mas também de diversos exemplares de Neon Azul, me deixei fisgar. Toquei a encadernação bem feita, além de visualmente atrativa, e antes que percebesse estava agradecendo pelo cartão cultura me oferecer o desconto exato para conseguir comprá-lo. Sai de lá com o exemplar autografado e já começando a lê-lo, apesar de aindar estar terminando outra leitura.

Resenha:

Existe um verdadeiro desfile de palavras técnicas para descrever os encantos deste livro, mas eu tentarei evitá-las. Você não precisa entender o que significa romance fix-up ou o que seria um texto noir para gostar de Neon Azul. Tudo que você precisa é lê-lo, e não ser “politicamente correto”.

A primeira coisa que pensei quando cheguei ao terceiro capítulo e compreendi a estrutura na qual o livro foi montado, era que tratava-se de uma “história desmontável” autêntica (termo muito usado por cursinhos pré-vestibulares para descrever Vidas Secas). Mas o que seria isso? Simples. Na verdade, o livro não se trata de um romance típico, linear, que segue uma ou duas personagens em dilemas pessoais ou o que quer que seja, com começo, meio e fim. Neon Azul poderia ser classificado quase como uma coletânea de contos. Cada capítulo acompanha determinada personagem, não necessariamente dando-lhe destino certo ou algo assim. O que há em comum para todos? Simples, a presença do estabelecimento Neon Azul. E o que guia estas histórias? Os efeitos que o local causa nas pessoas.

Mas, exatamente o que é o Neon Azul? Depende. Não há resposta certa para esta pergunta, e o livro evidencia isso de todas as maneiras possíveis. Para alguns, trata-se de um boteco requintado, para outros uma casa de shows para iniciantes, alguns diriam que é um bar de jazz, outros que é um inferninho. Mas ninguém pode discordar que, não importa qual a função da casa, ela seduz e embriaga. E sequer é necessário adentrá-la para ser arrebatado por seu encanto místico. Logo no primeiro capítulo, conhecemos Oscar, um mendigo, que, encantado pela luz azul que brilha na porta, adotou aquele como seu canto, onde passa as noites segurando uma latinha e esperando uns trocados dos clientes do local. Mesmo sem ter adentrado o Neon, Oscar já encontra-se preso a ele.

Muitas outras personagens desfilaram pelos “capítulos-contos” que formam o livro, suas histórias são contadas de maneira independente da que fora narrada anteriormente, o daquela que ainda será narrada. Os únicos capítulos extremamente conectados, cujo entendimento completo depende da leitura na ordem dos três são os três últimos. Se quiser, pode ler o livro todo em diversas ordem, apenas preservando estes três como estão (um atrás do outro e por último). É comum ver figurinhas repetidas, afinal, as histórias se entrelaçam, formando uma teia que envolve o local, todas atadas por uma pessoa em especial: o Homem.

Sem nome ou rosto, cercado de seguranças, afogado em dinheiro e extremamente misterioso, o dono do Neon Azul causa nas pessoas a mesma variedade de reações que sua propriedade. Ninguém sabe suas intenções, mas, vez ou outra, ele aponta de maneira aparentemente sutil ou sem grandes repercussões, na vida de alguém que frequenta sua casa (ou que dorme na porta dela), e a partir deste ponto as coisas mudam. Não necessariamente para melhor.

Isso tudo sem falar na linguagem! E este detalhe é algo que me chamou tanto a atenção quanto as personagens. Cada capítulo tem uma narrativa diferente. Alguns são em terceira pessoa, outros em primeira, há ainda aquele no discurso indireto livre (ou seja, o narrador reproduz a voz da personagem, mas ele ainda é o narrador). Há até mesmo uma histórias que é contada ao contrário (meio ao estilo Senhora de José de Alencar), começando pelo fim e terminando no início. É como se cada capítulo incorporasse ao máximo a essência de sua protagonista, desde a maneira como as coisas acontecem, até a maneira que é contada.

O espírito brasilis, especialmente o carioca, está em toda a parte deste livro, dando a nítida impressão de que, afinal de contas, tudo ali pode acontecer. Nada impediria de, em uma esquina da cidade, aquela que você nunca deu atenção quando estava correndo para o metro ou para o ponto de ônibus, abrigar uma espécie de Neon Azul. Se alguém conhecê-lo, me avise!

Finalizo com a recomendação de que leiam este super livro nacional, e meus parabéns ao autor Eric Novello e à Editora Draco.

Nota: 9,0

(só não dou 10,0 porque terminei o livro sem saber várias coisas que me deixaram curiosas. quem sabe um Neon Azul 2 não seria uma boa pedida?)

Twitter do autor: @cericn

Twitter da editora: @editoradraco

Site do autor: http://www.ericnovello.com.br

Site da editora: http://www.editoradraco.com

Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/112501

 

-Nínive Leikis

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3 respostas em “Resenha: Neon Azul

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