Publicando: Caminho Tortuoso

 

Em uma carreira literária, o autor inicia a jornada experimentando uma sensação de busca pelo mundo da imaginação. Na sua sede para aperfeiçoar a técnica e se inspirar, os jovens escritores se espelham nos grandes escritores do passado, ou do presente, apoiando-se em obras que marcaram suas vidas e suas mentalidades, tais autores vão desde os clássicos J.R.R. Tolkien ou Monteiro Lobato, até J.K. Rownling e Markus Zusak, dentre tantos outros.

Infelizmente, poucos chegam a realizar o sonho de publicar um livro, e a maioria que o faz tem uma “mãozinha” no mercado editoral. E porque esta dificuldade? 

Dentre os principais motivos a palavra chave é oportunidade. Ela esteve ausente por muito tempo, ao menos no mercado editorial brasileiro, e resolveu se aproximar sorrateira e discreta nos últimos anos. Houveram alguns poucos que criaram coragem para ir até ela, bater na porta e exigir atenção; alguns a receberam, outros foram ignorados, mas provavelmente é graças a insistência destes que ela resolveu rondar o mercado de livros, abrindo (finalmente!) um certo espaço para que a literatura nacional atual (nada de clássicos das listas de vestibular!) tivessem a chance de irem parar nas prateleiras das livrarias e nos catálogos das editoras.

No entanto, mesmo que a oportunidade tenha chegado, ainda falta o reconhecimento, e talvez esta seja a maior trava para o autor iniciante. Existe um preconceito no consumidor brasileiro, criou-se, durante décadas, o preconceito de que literatura nacional é ruim. Ou melhor, tudo que é nacional é ruim. É já comum que nos sintamos arredios diante de uma novidade, preferimos o conhecidos, o confortável, o seguro. Portanto, a união deste par de empecilhos causa uma das maiores barreiras que um novato pode enfrentar.

As editoras grandes ignoram os infantes do meio literário, enquanto as pequenas precisam de confiança e força para firmar as pernas. O alto custo da publicação, a burocracia e, acima de tudo, o medo de não haver retorno, acaba podando qualquer iniciativa vanguardista que as jovens editoras possam ter. Há alguns anos atrás nenhuma “peixe pequeno” iria fazer algo do tipo, como publicar literatura nacional (ainda mais literatura FANTÁSTICA nacional), mas o aumento da procura pelo gênero e o surgimento silencioso de expoentes dentro do território da terra brasilis deu coragem e animação; pouco a pouco pipocam pequenas editoras (alguma competente, outras nem tanto) dispostas a abrir as portas para os novatos.

Claro, esta disposição é digna de nota e apreciação, mas, ainda assim, o alto custo persiste, assim como a burocracia e o medo de não haver retorno. É comum que alguém cujo nome já tenha aparecido acumule mais chances de ser aceito por uma editora do que o anônimo. Sendo assim, uma das maneiras de começar a criar um nome, ganhando mais visibilidade entre as editoras e os consumidores, é publicar nas chamadas coletâneas de contos.

Este tem sido o gancho para quem sonha em ser reconhecido. É uma forma de publicar seu trabalho antes de terminar a grande obra, uma forma de ir ganhando um reconhecimento, dando pequenos aparetivos a respeito de seu trabalho. Mas, cuidado! Isto pode se tornar um verdadeiro vício, especialmente para aqueles que nunca escreveram algo mais longo. O conto é uma forma de apresentação, um aperitivo para mostrar que não esta ali simplesmente dizendo que escreve, mas sim provar que realmente escreve. Só porque se tem um conto publicado, não significa que você é um escritor. Para sê-lo deve treinar, escrever e reescrever, tem força de vontade e persistência para não largar algo inacabado, procurar com afinco uma editora disposta a publicá-lo, e continuar com o processo de treinamento. Por melhor que se esteja, sempre há o que aperfeiçoar.

Outra maneira de tentar atrair o público, ganhando algum destaque ou reconhecimento prévio (e também posteiror) a publicação e a nossa queria companheira do século XXI: a internet.

Rogério H.P Pontenegro & Nínive Leikis

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2 respostas em “Publicando: Caminho Tortuoso

  1. Realmente, existe um grande preconceito com relação a literatura fantástica nacional. Um preconceito que, sinceramente, eu não entendo. Você pode notar por sites que publicam fanfics (como o fanfiction.net, por exemplo) que o que é publicado em Português, os ficwriters brasileiros, é tudo (ok, a maioria) escrito muito bem. Sei que por parte da editora envolve muito dinheiro no meio, mas sinceramente as editoras poderiam abrir seus olhos e perceber que quem está correndo atrás dessa oportunidade confia em seu próprio trabalho. Convenhamos que nenhum autor de uma pérola do Enem vá querer publicar algum livro XD se mate!

  2. Mas, olha, passei numa livraria hoje e sabe o que eu vi? Dragões de Éter em seção de literatura estrangeira… Porque tudo que é bom não pode ser do Brasil neh… tsctsc

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