Cursos de Escrita… Fazê-los ou não?

Esta semana estava conversando com alguns amigos sobre a validade de fazer um curso para “aprender a escrever” e a discussão se tornou tão interessante que resolvi partilhá-la com vocês. Afinal de contas, a não ser no caso dos poucos, ou semi, alfabetizados, todos sabemos escrever, em maior ou menor escala, então, a que exatamente se destinam esses cursos, qual seu público alvo e como eles se propõem a cumprir o que prometem?

Perguntas que parecem simples a principio, mas que, se respondidas corretamente, podem nos dar mais respostas do que imaginamos. Vamos então por ordem:

A primeira, a que se destinam esses cursos?

A maioria, posto que existam muitos agora que o mercado de Literatura Fantástica está em alta, se destinam a ensinar os possíveis alunos a escrever desde contos e pequenas histórias até noveletas e romances. Esses cursos são os mais completos, ou deveriam ser, e tem, em geral, uma duração maior. Existem também outros cursos, de menor duração, que se destinam a ensinar os possíveis alunos um tipo especifico de texto, como crônicas, poemas e contos, e outros, mais específicos ainda, se propõe a aprofundar os conhecimentos dos interessados em algum gênero literário especifico, quase como um curso de extensão. Em outras palavras, no mercado atual, há cursos para todos os gostos e necessidades.

A segunda pergunta seria “qual o seu publico alvo”?

Bom amigos, essa é fácil. O publico alvo destes cursos são os leitores em geral, e não apenas os que já pensam em, ou tentam, escrever. Porque isso? –  vocês podem me perguntar, e não sem razão. Porque todo leitor é um possível escritor. Todo leitor é alguém que já esta no mundo das letras e que, muito provavelmente já foi afetado por elas de varias formas. O encanto, a compreensão, e em muitos casos, a vida que o leitor gostaria de ter, estão guardados ao alcance da mão nas muitas estantes espalhadas pelos quartos e salas de todo mundo, e a genialidade dos que produzem os cursos está em, justamente, utilizar esse nicho pré-existente e potencializá-lo ao oferecer aos leitores a oportunidade de participar mais ativamente desse universo vendendo a idéia de que com o seu curso, escrever se tornaria possível a todos e ainda mais, se tornaria fácil. Não que eu defenda que escrever seja um bicho de sete cabeças, afinal, como já disse antes, escrever todo mundo escreve, nem que seja um bilhete, um diário, ou uma redação para o vestibular, mas escrever um conto, livro, ou coisa que valha, definitivamente não deve ser considerado algo fácil. Muitos jovens escritores que gastam suas economias nesses cursos – eles não são baratos – e esperam receber instantaneamente seu lugar ao sol, se frustram e não sem razão.

Com isso entramos na terceira pergunta que é exatamente sobre o que eles prometem e como eles fazem para “cumprir” o prometido:

o pote de ouro

Deixo claro, nem todos cumprem o que prometem e isso é fato. Existem cursos que prometem te ensinar a escrever bem, o que é muito subjetivo, a ter mais chances, o que não pode ser considerado uma promessa, a melhorar sua redação, o que implica basicamente em lhe ensinar um grupo de truques que o fará ter uma técnica melhor e só. Não digo que não existam cursos bons no mercado, não é isso, mas, como todo mercado em alta, existem os cursos que valem à pena e os que simplesmente te enganam para conseguir dinheiro. O fato é que, quanto mais subjetiva a proposta, mais fácil é de você se decepcionar no final.

É importante frisar que, escrever não é um talento divino, ou um dom de poucos, mas sim uma competência humana disponível a todos que a ela se dedicam. Fazer sucesso ou não já é outra questão. Sucesso hoje em dia depende muito mais de uma junção bem feita entre a moda atual, o marketing, a distribuição e o selo editorial pelo qual você publica do que necessariamente escrever bem. Poderia dar exemplos específicos, mas geraria muita polêmica, e no fim das contas, escrever bem é um conceito relativo que depende basicamente de quem avalia o texto.

Também é importante notar, minha intenção nesse post não é defender nem atacar os cursos. Sejam eles pagos ou gratuitos – sim, embora raros, existem cursos gratuitos, geralmente em CEUs ou pólos culturais como o CCSP ou a Casa das Rosas.

O que quero alertar é que, participar desses cursos pode, e, geralmente, te dá coisas como uma melhor noção do mercado, um melhor conhecimento das técnicas envolvidas nos diversos tipos de escrita e de sua aplicação, além de uma boa noção de como efetuar sua pesquisa e te integra (e talvez isso seja o mais interessante) com outros autores e pessoas do ramo com as quais você pode se envolver e se desenvolver muito além da sala de aula, porem esses cursos não garantem, de forma alguma, que você se torne o próximo Stephen King ou J.R.R.Tolkien, ou sequer garantem que você seja publicado, e é realmente importante se lembrar disso.

Digo, por experiência própria, que esses cursos tem a tendência de serem divertidos e, de certa forma, muito gratificantes a um nível pessoal, então de certa forma os aconselho, desde que sejam encarados como uma experiência de crescimento pessoal.

Quanto ao resto, os conselhos de sempre: – Leia o que o curso promete antes de se inscrever, leia o contrato sempre para saber o que pode ou não cobrar, e esteja sempre aberto para novas experiências pois elas te fazem crescer, e, conseqüentemente, fazem seus textos crescerem. Mas mantenha em mente que escrever vem de dentro e, embora você possa aprender técnicas e outras coisas em escolas e cursos, o que realmente importa vem de dentro. Ah sim, e treinar sempre. Escrever, escrever, escrever…

P.S. quando digo cursos, me refiro a cursos presenciais e não on-line ou livros, que, na minha opinião só funcionam para quem já é autodidata , coisa que eu não sou. Também não me refiro a cursos de um dia em algum lugar no meio do mato com almoço e tudo incluso porque… bem… acho que nunca tive dinheiro para isso…rsrsrsrs

Will.

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Uma resposta em “Cursos de Escrita… Fazê-los ou não?

  1. Oi Will!

    Acho que todo curso que te realize pessoalmente, intimamente e não necessáriamente profissionalmente, vale a pena. Eu sempre procuro saber de um curso duas coisas: 1) o que será abordado na aula, ou aulas. 2) o quão qualificado e interessado o professor é. Quanto ao preço, nem sempre tudo que é muito caro vale a pena.

    Incluo aqui cursos de graduação também. Quando estava na faculdade de letras tive duas professoras que me davam alegrias (inglês) e frustações (redação). Em um ano de faculdade já conseguia ler livros em inglês, coisa que não consegui em 2 anos de cursinho (hoje mal lembro o verbo to be, pois não uso faz 10 anos) e minha professora de redação por ser moralista me frustrava limitando minhas idéias. Até que depois de dois anos, por razões financeiras, tranquei minha faculdade e nunca mais voltei.

    Como escritora amadora, acho que cursos que envolve, escrita, pesquisa e até mesmo workshops que abordem um assunto especifico como por exemplo vampiros são sim validos, desde que você pesquise o que será abordado no curso e a qualificação e empenho do professor (a).

    “Sucesso hoje em dia depende muito mais de uma junção bem feita entre a moda atual, o marketing, a distribuição e o selo editorial pelo qual você publica do que necessariamente escrever bem” Infelizmente é um verdade doída essa afirmação, eu pessoamente prefiro alguém que escreva bem, a alguem que venda bem.
    É melhor você ser um alienado culto, do que uma pessoa por dentro de tudo, mas, sem idéias próprias 😉

    beijos

    Debby

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